Para quem acompanhou Roger Federer durante tantos anos, o US Open de 2019 nunca pareceu uma despedida. A derrota nas quartas de final encerrou aquela campanha, mas não trouxe a sensação de ponto final. A expectativa era de que ele voltaria. O corpo, porém, escreveu outro roteiro.
Federer não disputou o torneio em 2020. Seu último jogo de simples em um Grand Slam aconteceu nas quartas de final de Wimbledon, em 2021, diante de Hubert Hurkacz. A aposentadoria oficial veio na Laver Cup de 2022, em uma partida de duplas ao lado de Rafael Nadal. Nova York ficou fora dessa sequência de adeuses.
Essa lacuna começou a ser preenchida na segunda-feira, 24 de agosto de 2026. Federer voltou a Flushing Meadows, treinou com Lorenzo Musetti e conversou com a imprensa. Na noite seguinte, ele venceu Andy Roddick por 6–3 no set de simples e, ao lado de John McEnroe, superou Roddick e Andre Agassi por 7–5. A faixa na cabeça, o movimento do saque e as bolas trocadas no Arthur Ashe despertaram uma memória imediata: durante anos, aquela imagem foi parte natural do fim do verão nova-iorquino.
Há uma razão especial para a força desse reencontro. Federer venceu o US Open cinco vezes seguidas: superou Lleyton Hewitt na final de 2004, Andre Agassi em 2005, Andy Roddick em 2006, Novak Djokovic em 2007 e Andy Murray em 2008. A sequência permanece única na história do torneio entre homens e mulheres.
O evento “Roger Federer: An Icon Returns to New York” reuniu dois antigos adversários de finais, um símbolo do tênis nova-iorquino e o campeão que fez daquela quadra uma extensão de seu jogo. O placar importava menos do que a possibilidade de completar uma despedida que o calendário e as lesões haviam deixado em aberto.
Existiu emoção, mas não existiu disfarce: não foi uma volta ao circuito. Federer admitiu o nervosismo de jogar depois de tantos anos sem disputar um set e, ao ser perguntado sobre um possível convite para a chave de simples, descartou a ideia. Aos 45 anos, ele sabe que a carreira competitiva terminou. Justamente por isso, a noite pôde ser vivida sem a ansiedade de um recomeço.
O que estava faltando era a chance de agradecer. Federer deixou o US Open em 2019 sem saber que aquela seria sua última participação oficial. Agora, olhou para as arquibancadas, recebeu o carinho do público e se despediu de um lugar que ajudou a definir sua carreira.
O momento também serviu de ponte para outra homenagem. Depois da exibição, Federer segue para Newport e será introduzido no International Tennis Hall of Fame no sábado. Em poucos dias, ele revisita o palco de cinco títulos e recebe a consagração institucional reservada aos maiores nomes do esporte.
Despedidas raramente acontecem no instante perfeito. Às vezes, elas chegam anos depois, quando o resultado já perdeu importância e a memória ocupa toda a quadra. Para Federer e Nova York, a noite de 25 de agosto não mudou o fim da carreira. Ela finalmente lhe deu uma última cena em Arthur Ashe.
Fontes consultadas: US Open, ATP Tour e Reuters, via CNN Brasil. Apuração atualizada em 26 de agosto de 2026.
